Estudo de caso: a trajetória da Beyond Meat do início ao sucesso no mercado

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Estudo de caso: a trajetória da Beyond Meat do início ao sucesso no mercado

Eu adoro destrinchar marcas que mudam categorias. A Beyond Meat fez isso. Cresceu rápido, virou queridinha dos investidores, e depois precisou recalibrar tudo para sobreviver.

O que você vai ver neste estudo de caso

Vou explicar a jornada, os números e as escolhas da Beyond Meat. Também trago lições práticas que você pode aplicar hoje no seu negócio.

Origens e propósito (2009–2012)

A Beyond Meat nasceu em 2009, com Ethan Brown. A missão era simples e ousada: construir carne diretamente de plantas para reduzir o impacto climático.

O time licenciou tecnologia da Universidade do Missouri. Em 2012, lançou o Beyond Chicken Strips na Whole Foods. A marca já mirava o grande público, não só veganos.

Uma decisão marcante: exigir que os produtos ficassem na gôndola de carnes. Assim, a marca buscou o consumidor onívoro desde o primeiro dia.

Primeiros marcos e o “pulo do gato” (2014–2016)

Em 2014, chegaram os Beyond Beef Crumbles. A virada veio em 2016, com o Beyond Burger. Ele cozinhava e parecia carne bovina, e isso mudou a categoria.

A tecnologia de extrusão e a textura convenceram curiosos e flexitarianos. A marca ganhou buzz e espaço nas redes e no varejo.

Parcerias e expansão da presença (2017–2019)

Parcerias estratégicas amplificaram a marca. Subway testou almôndegas. A Dunkin’ lançou sanduíche com Beyond Sausage, com Snoop Dogg na campanha.

Redes como Carl’s Jr. colocaram a Beyond no centro de comerciais. Em 2019, houve até anúncio no Super Bowl com produto de fast-food parceiro.

No fim de 2019, a distribuição já passava de 35 mil pontos. A empresa era avaliada em cerca de US$ 1,5 bilhão no IPO.

IPO e hiper crescimento (2019–2021)

O IPO em maio de 2019 levantou US$ 240 milhões. A ação subiu mais de 160% no primeiro dia. O tema saúde e clima ajudou a narrativa de crescimento.

A receita deu saltos: US$ 298 milhões em 2019 e US$ 465 milhões em 2021. A Beyond chegou a 65 países e virou ícone do boom de proteínas alternativas.

Mas havia um porém. A empresa seguia sem lucro. Os gastos com P&D e marketing eram pesados. O preço no varejo seguia premium.

Desaceleração e pivôs duros (2022–2025)

De 2022 em diante, a demanda esfriou. Inflação, preços altos e dúvidas sobre sabor e saúde derrubaram volumes e margens.

A receita recuou para US$ 343 milhões em 2023 e US$ 326 milhões em 2024. A ação caiu mais de 90% do pico até o fim de 2024.

A gestão reagiu. Cortou custos, reformulou produtos e encerrou projetos fracos, como a joint venture de jerky com a PepsiCo, em 2024.

Houve layoffs em 2022 e novas rodadas em 2023 e 2025, somando cerca de 25% do time. O foco voltou ao core: burger e sausage.

Mercado e tendências da categoria

O mercado global de carne vegetal valia cerca de US$ 7,17 bilhões em 2023. Projeções apontam crescimento anual perto de 19% até 2030.

Nos EUA, eram US$ 3,21 bilhões em 2024. Porém, as vendas de refrigerados caíram em 2024 e 2025. A categoria tirou o pé do acelerador.

Os drivers seguem fortes: saúde, clima e bem-estar animal. Mas o preço premium, a inflação e a percepção de “ultraprocessado” atrapalham.

Público-alvo e proposta de valor

A Beyond mira o flexitariano. Gente que reduz carne sem abrir mão de sabor e praticidade. Jovens urbanos lideraram a adoção inicial.

A marca sempre comunicou como proteína do dia a dia. “Coma o que você ama” se conectou com onívoros. Mas preço e repetição seguem sensíveis.

Concorrência e posicionamento

O rival direto é a Impossible Foods, com soja e heme. Ela tem forte presença em fast-food, como o Whopper.

Grandes de alimentos também jogam: Nestlé, Conagra e Tyson lançaram linhas plant-based. O poder de escala desses players é uma ameaça clara.

Modelo de negócios e canais

A Beyond vende produtos congelados e refrigerados em varejo e foodservice. Parceiros como Whole Foods, Walmart e grandes redes de QSR ampliam o alcance.

Em 2024, não havia receitas relevantes de licenciamento. A empresa depende de volumes recorrentes em contratos padrão com distribuidores.

Unit economics e preço

A margem bruta historicamente foi baixa. Em 2024, subiu para cerca de 14–15%, após ter ficado negativa em 2023.

A estratégia combinou menos promoções e reajustes de preço. Ainda assim, o prêmio versus carne animal, em muitos casos, passa de 20%.

Portfólio de produtos

A promessa central é imitar sabor, textura e preparo da carne. Tudo sem colesterol, hormônios ou antibióticos, e com ingredientes não transgênicos.

  • Beyond Burger: quatro gerações desde 2016. A de 2024 trouxe óleo de abacate e menos gordura saturada.
  • Beyond Beef: “carne moída” vegetal, versátil para molhos, tacos e refogados.
  • Beyond Sausage: links tipo porco, em sabores Brat, Hot Italian e Sweet Italian.
  • Beyond Breakfast Sausage: patties e links para café da manhã.
  • Beyond Steak: tiras de “steak” à base de fava, com versões temperadas.
  • Beyond Chicken: pedaços e nuggets, com foco em crocância e preparo rápido.
  • Beyond Meatballs: almôndegas italianas prontas para o molho.

Os preços seguem premium. Um pack de dois burgers pode custar perto de US$ 6–7 no varejo americano.

Operações e cadeia de suprimentos

Em 2024, a Beyond tinha cerca de 808 colaboradores. A sede fica em El Segundo, Califórnia.

A produção é majoritariamente com co-packers. O principal insumo é a proteína de ervilha, com destaque para a Roquette como fornecedora.

Houve expansão na Europa, com planta na Holanda para atender a região. Depois, veio a consolidação de fábricas e a saída da China.

A distribuição cobre dezenas de milhares de pontos em varejo e foodservice, com suporte de grandes distribuidores.

Desafios operacionais recorrentes

  • Abastecimento: flutuações de preço e oferta de proteína de ervilha.
  • Escala: ganho de eficiência lento e capex em equipamentos pesados.
  • Qualidade: manter textura e sabor consistentes entre parceiros.
  • COVID e logística: choques em custos e disponibilidade.
  • Regulação: debates sobre rotulagem e termos como “carne”.

Comunicação e marca

A Beyond investiu pesado em awareness. Preferiu campanhas mainstream, sem nichar no “vegano”.

Parcerias com celebridades, como Snoop Dogg e atletas da NBA, aumentaram o alcance. A presença no corredor de carnes reforçou o posicionamento.

Crises e gestão de risco

A partir de 2022, a queda na categoria apertou o caixa. A empresa reduziu guidance e buscou reestruturar dívida de cerca de US$ 1,1 bilhão.

Houve tentativa de captação via ações em 2024. Ao mesmo tempo, cortes e foco no core reduziram o prejuízo trimestral.

Percepções de saúde exigiram resposta. A fórmula com óleo de abacate buscou atacar a crítica sobre gordura saturada.

Estratégia atual e próximos passos

O plano é simples e disciplinado: priorizar burger e sausage, elevar a qualidade nutricional e controlar custos.

A Europa segue como prioridade, com lançamentos e novos sabores. A empresa também testa ocasiões de consumo, como o café da manhã.

Parcerias com grandes cadeias continuam, mas com mais seletividade. Projetos que não performam saem rápido do portfólio.

SWOT resumido

  • Forças: tecnologia proprietária, marca forte e ampla distribuição.
  • Fraquezas: preço alto, margens baixas e dependência de insumos.
  • Oportunidades: melhoria de custo, Europa e novos formatos.
  • Ameaças: gigantes de alimentos, regulação e queda de demanda.

Indicadores que contam a história

  • Receita: US$ 298M (2019) → US$ 465M (2021) → US$ 326M (2024).
  • Margem bruta: negativa em 2023; 14–15% em 2024.
  • Estrutura: cortes somando ~25% do time até 2025.
  • Ação: queda de mais de 90% versus o pico até 2024.

O que aprendi com este estudo de caso

  • Seja mainstream desde o dia um: gôndola certa muda o jogo.
  • Inove ouvindo o cliente: reformule para sabor e saúde, não só para PR.
  • Cresça com disciplina: unit economics importam mais que hype.
  • Pivote rápido: corte projetos fracos e foque no core.
  • Parcerias são alavancas: mas saiba sair quando não entregam.

Como aplicar no seu negócio

Mapeie preço percebido e valor real. Entregue sabor, conveniência e rituais, não só argumentos racionais.

Defina metas de margem por SKU. Pare de subsidiar linhas que não atingem o básico. Teste, meça e itere rápido.

Busque distribuição que educa o consumidor. O contexto de compra é parte do marketing.

Conclusão

A Beyond Meat mostrou como criar uma categoria. Também mostrou o preço de crescer sem rentabilidade. Eu saio com um lembrete simples: visão escala marcas; disciplina sustenta empresas.

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