Estudo de caso: TOMS Shoes e o impacto do modelo One for One

Estudo de caso
Estudo de caso

Você já se perguntou como uma ideia simples pode mudar um setor inteiro? Neste estudo de caso, eu conto a história da TOMS Shoes e o impacto do modelo One for One. Vamos ver o que funcionou, o que falhou e o que ficou de lição.

O que é o modelo One for One

A TOMS nasceu em 2006, em Los Angeles, com uma missão clara. Para cada produto vendido, a marca doava um item equivalente para alguém em necessidade. Foi assim com os sapatos, depois com óculos, café e bolsas.

O primeiro ano foi marcante. A empresa vendeu 10 mil pares e doou 10 mil pares na Argentina. A mensagem era simples, humana e fácil de compartilhar. O modelo virou sinônimo de consumo com propósito.

Marcos do crescimento: uma linha do tempo

  • 2006: Fundação e primeiras 10 mil vendas e doações na Argentina.
  • 2007: Campanha One Day Without Shoes amplia a notoriedade.
  • 2011: Entrada em mais de 500 varejistas e estreia da linha de óculos.
  • 2012: Mais de 2 milhões de pares doados em 40 países.
  • 2014: Bain Capital compra 50% por US$ 625 milhões.
  • 2014–2015: Expansão para café e bolsas com causas atreladas.
  • 2019: Reestruturação da dívida; saída do fundador do controle.
  • 2020: Novo foco de impacto: 1/3 do lucro para causas.
  • 2020–2021: E-commerce bate recorde durante a pandemia.
  • 2022–2025: Reposicionamento para Gen Z e produtos “sneakerizados”.

Estudo de caso: por que o modelo escalou tão rápido

O modelo One for One era fácil de entender e de repetir. Ele virou conversa nas redes, nos campi e na mídia. Com isso, a TOMS cresceu sem investir pesado em anúncios. Propósito funcionou como motor de aquisição.

Além disso, o produto ajudou. O slip-on em lona era confortável e barato de produzir. As margens eram saudáveis, mesmo incluindo a doação. Isso financiou operações e expandiu o alcance global da marca.

Quando a maré virou: tendências e mudança de gosto

O mercado global de calçados segue em alta, mas o gosto mudou. O consumidor trocou os flats simples por tênis casuais. A “sneakerização” acelerou no fim da década de 2010 e cresceu na pandemia.

A TOMS demorou a responder. A dependência do alpargata clássico pesou. Quando o estilo esfriou, as vendas desaceleraram. A concorrência ocupou espaço com portfólios mais amplos e preços agressivos.

Concorrência: de imitadores a gigantes

  • Marcas estabelecidas: Skechers e Vans ofereceram alternativas próximas. A linha BOBS copiou o visual e a doação, com preço menor e distribuição massiva.
  • Novas marcas “do bem”: Allbirds e Rothy’s focaram em sustentabilidade. Elas ganharam o coração de quem prioriza materiais e pegada de carbono.
  • Gigantes esportivos: Nike e Adidas dominaram o casual. Eles adicionaram iniciativas sociais e reduziram a diferença percebida.

Modelo de negócios e unit economics

A TOMS vende principalmente calçados, com eyewear e outras linhas menores. No auge, sapatos foram mais de 80% da receita. A empresa migrou de atacado para direto ao consumidor, buscando margens melhores.

O One for One funcionava como marketing embutido. Em vez de comprar mídia, a marca doava. Como o custo do produto era baixo, a margem se mantinha forte. O desafio apareceu quando o volume caiu e a dívida cresceu.

Operações e cadeia de valor

A produção é terceirizada, com fábricas na Ásia e em países receptores de doações. Para reduzir críticas, a TOMS passou a fabricar parte dos pares doados localmente. Isso gerou empregos e melhorou a aceitação.

A logística dividia dois fluxos. Um levava produtos a clientes e lojistas. O outro levava doações até ONGs parceiras. A coordenação envolvia estoques, tamanhos e agendas de distribuição em campo.

Críticas e ajustes: impacto real sob escrutínio

Especialistas questionaram se doar sapatos resolvia causas de fundo. Houve alertas sobre efeitos em mercados locais e dependência. A TOMS ouviu, testou e ajustou a abordagem com produção local e foco em saúde e educação.

Com o tempo, a marca ampliou a lente. Em 2019, ela trocou o modelo unitário por doações de um terço do lucro. Isso permitiu atuar em temas urgentes, como violência armada e saúde mental.

Tempestade financeira e a virada

O negócio desacelerou enquanto a dívida do LBO pesava. Em 2019, credores assumiram o controle e injetaram capital. A empresa reduziu custos, enxugou a equipe e redesenhou a estratégia de produto e impacto.

Em 2020, a pandemia fechou lojas e derrubou o atacado. O e-commerce salvou o ano e bateu recorde. A TOMS direcionou recursos a fundos de COVID-19 e manteve a coerência com a missão.

Pivot de impacto: do One for One ao fundo de doações

Amarrar doação a lucro trouxe flexibilidade e resiliência. Em anos difíceis, o compromisso se ajusta à realidade. Em anos fortes, o impacto escala com responsabilidade.

O novo modelo também conversa melhor com a Geração Z. Essa audiência quer causas claras, transparência e voz ativa. A TOMS passou a financiar iniciativas locais e mensurar resultados.

SWOT resumida do estudo de caso

  • Forças: Marca pioneira, alto recall, comunidade engajada e B Corp.
  • Fraquezas: Portfólio concentrado, moda passageira e dívida passada.
  • Oportunidades: D2C, colaborações, novos materiais e Ásia em expansão.
  • Ameaças: Cópias baratas, fadiga de causa e mudanças rápidas de gosto.

Marketing que conta história e mobiliza

A TOMS virou case de storytelling. A história do fundador na Argentina criou emoção e ação. Campanhas como One Day Without Shoes transformaram clientes em embaixadores.

Hoje, a narrativa evoluiu. A marca fala de causas atuais e mostra impacto com dados. Isso mantém relevância sem perder a essência.

Aprendizados práticos para negócios de impacto

  • Propósito vende, mas prova sustenta: meça, ajuste e comunique resultados.
  • Inove sempre: não dependa de um só produto ou moda.
  • Finanças em ordem: evite alavancagem que limita a missão.
  • Omnicanal é vital: fortaleça e-commerce e relação direta.
  • Autenticidade conta: responda a críticas com ações, não só com falas.

O que vem pela frente

Com base reestruturada, a TOMS persegue relevância com design mais esportivo. O foco é Gen Z, causas locais e produtos com melhor proposta de valor. Se executar bem, pode consolidar um “capítulo dois” sólido.

O mercado global segue crescendo. A disputa é dura, mas há espaço para marcas claras em propósito e produto.

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Conclusão

Este estudo de caso mostra que propósito acelera, mas gestão sustenta. A TOMS cresceu com uma ideia forte e precisou se reinventar para seguir relevante. O equilíbrio entre impacto e lucro é possível, desde que haja foco, adaptação e transparência.

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