Estudo de Caso Empresarial: Ben & Jerry’s

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Estudo de Caso Empresarial: Ben & Jerry’s

Eu adoro analisar marcas que unem lucro e propósito. Neste estudo de caso, exploro como a Ben & Jerry’s cresceu com valores firmes, sabores icônicos e ativismo. Também mostro os riscos dessa escolha.

Você verá marcos, números, estratégias e lições. Tudo em linguagem simples, direta e útil para quem quer aprender e aplicar.

Por que este estudo de caso importa

A Ben & Jerry’s é referência em capitalismo consciente. O negócio prova que missão e lucro podem andar juntos. Mas também expõe tensões reais entre ativismo e metas financeiras.

Eu reuni dados, marcos e práticas da marca. O objetivo é mostrar acertos, limites e como aplicar as lições no seu negócio.

História e marcos principais

Em 1978, Ben Cohen e Jerry Greenfield abriram a primeira loja em Burlington, Vermont. Eles fizeram um curso por correspondência de US$ 5 e investiram cerca de US$ 12 mil.

  • 1978: Primeira scoop shop.
  • Anos 80: Entrada em pints no varejo.
  • 1989: Práticas progressistas públicas.
  • Anos 90: Cherry Garcia e expansão para a Europa.
  • 2000: Aquisição pela Unilever por US$ 326 milhões.
  • 2016–2020s: Linha não láctea e iniciativas ESG.
  • 2024–2025: Spin-off do negócio de sorvetes da Unilever.

Missão e proposta de valor

A missão tem três partes: produto, economia e social. A marca busca equilíbrio entre qualidade, crescimento sustentável e justiça social.

Essa base guiou decisões de sabor, cadeia de suprimentos e campanhas. E construiu uma comunidade fiel de clientes.

Mercado e tendências

O mercado global de sorvetes foi US$ 113,4 bilhões em 2023. A projeção é US$ 147,74 bilhões até 2030. O CAGR previsto é de ~3,9% entre 2024 e 2030.

O segmento premium puxa o crescimento. Consumidores querem indulgência, sabores novos, origem ética e opções plant-based.

Público-alvo e personas

  • Indulger Irene: 30–50 anos, urbana, renda acima da média. Trata sorvete como ocasião especial.
  • Ethical Ethan: 20–40 anos. Liga para justiça social e sustentabilidade.
  • Plant‑based Paula: 25–45 anos. Vegana, intolerante à lactose ou flexitariana.

Também há compradores por impulso. E fãs de edições limitadas e colaborações.

Concorrência e posicionamento

  • Häagen‑Dazs: Premium clássico, preço alto e presença global.
  • Breyers: Amplo portfólio, preço moderado.
  • Halo Top: Baixas calorias, foco em saúde.
  • Blue Bell: Forte regionalmente nos EUA.

A Ben & Jerry’s se destaca por sabores com “chunks & swirls”, valores fortes e edições especiais. Cobra preço premium e cria vínculo emocional.

Modelo de negócio e receitas

As receitas vêm de pints no varejo, lojas de sorvete, licenças e colaborações. A linha não láctea cresce e amplia penetração.

  • Média de receita por franquia nos EUA: ~US$ 612 mil/ano.
  • Receita estimada da marca em 2024: ~US$ 450 milhões.
  • Negócio de sorvetes da Unilever: ~US$ 9,2 bilhões em 2025, EBIT ~12,5%.

Como subsidiária, nem todos os números são públicos. Ainda assim, os dados mostram escala e margens de categoria.

Produtos e inovação

O portfólio inclui pints premium, linhas não lácteas (desde 2016) e formatos como Pint Slices. Os sabores icônicos viraram parte da cultura pop.

Edições limitadas e colaborações geram desejo. Flavors com causas ampliam o alcance e reforçam a missão.

Go-to-market e marketing

A venda ocorre em supermercados, lojas de conveniência e scoop shops. Há presença internacional e iniciativas online.

  • Free Cone Day: Ação clássica de comunidade.
  • Flavors ativistas: Pecan Resist e Justice ReMix’d.
  • Mídias sociais: Conteúdo e causas movimentam a comunidade.

Eu vejo a mistura de produto, propósito e novidade como motor de retenção.

Operações e cultura

A sede fica em Vermont. A fabricação segue um processo industrial padronizado. Fornecedores incluem fazendas, parceiros Fairtrade e especialistas em ingredientes.

Parceiros-chave: Greyston Bakery (brownies) com open hiring, e Rhino Foods (cookie dough) com inclusão e lucro compartilhado.

Desafios e crises

A aquisição pela Unilever garantiu escala, mas trouxe tensão de governança. A independência da missão versus metas do grupo gerou conflitos públicos.

Houve controvérsias ligadas a Israel/Palestina entre 2021 e 2023. A decisão operacional no país expôs limites da autonomia sob uma multinacional.

Custos altos, inflação de insumos e mercado maduro exigem disciplina. O ativismo também gera apoio e boicotes.

Impacto social e ESG

A filosofia de “prosperidade compartilhada” guia decisões. A marca investe em Fairtrade e diversidade de fornecedores, com foco em negócios negros.

  • Regeneração e clima: Piloto de laticínios de baixo carbono e biodigestores de metano.
  • Embalagem: Papel certificado FSC.
  • B Corp: Certificada desde 2012, com relatórios SEAR anuais.

Também aderiu ao Milk with Dignity, melhorando a proteção de trabalhadores lácteos. Há progresso, mas desafios persistem.

Saúde do produto e críticas

Os pints são indulgentes e calóricos. Isso gera críticas de saúde pública. A marca tenta equilibrar prazer, transparência e opções não lácteas.

Alguns veem “woke washing” quando discurso não se alinha à prática. Transparência ajuda, mas também traz mais escrutínio.

Iniciativas estratégicas e futuro

A expansão plant-based segue forte. O spin-off do negócio de sorvetes pode dar mais foco e agilidade à categoria.

  • Mais edições limitadas e colaborações.
  • Avanços em baixo carbono e agricultura regenerativa.
  • Exploração de D2C e assinaturas, onde fizer sentido.

Mercados emergentes pedem adaptação de portfólio, preço e canais.

Análise SWOT resumida

  • Forças: Marca forte, sabores únicos, missão clara, alcance global.
  • Fraquezas: Preço premium, conflitos de governança, custos altos.
  • Oportunidades: Plant-based, mercados emergentes, e-commerce, embalagens sustentáveis.
  • Ameaças: Concorrência intensa, inflação de insumos, saturação, backlash político.

Indicadores e alavancas de crescimento

Inovação contínua mantém relevância, mas custa caro. A diferenciação por valores consolida preço premium. Eficiência operacional precisa acompanhar para proteger margens.

Eu priorizaria mix de produtos com margem, canais rentáveis e metas ESG com ROI claro.

Lições aprendidas

  • Valores diferenciam e expõem riscos: Fidelizam e polarizam ao mesmo tempo.
  • Controle corporativo importa: Estruturas de missão funcionam até o limite do poder real.
  • Ativismo sem alinhamento operacional fragiliza: Entregas internas sustentam a voz pública.
  • Inovação é essencial e cara: Em categoria madura, ela defende participação.
  • Ética tem custo: Fairtrade e programas sociais exigem produtividade para fechar contas.
  • Mensagem global exige sensibilidade local: Contexto muda recepção de campanhas.
  • Transparência não basta: É preciso progresso visível para manter confiança.

Aplicações práticas para o seu negócio

  • Defina missão mensurável e integre-a ao P&L.
  • Crie rituais de comunidade e produtos heróis.
  • Use edições limitadas para testar e gerar buzz.
  • Mapeie riscos de ativismo e prepare respostas.
  • Invista em fornecedores alinhados e eficiência.

Conclusão

A Ben & Jerry’s mostra que propósito pode escalar. Também ensina que tensões são reais e exigem escolhas difíceis. Eu levo daqui um roteiro de equilíbrio entre produto, marca e impacto.

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